Tratamento

Tratamento farmacológico

Antes de se falar de cirurgia, a medicação tem de estar certa. Um número surpreendente de pacientes chega com sintomas que não são resistentes ao tratamento — estão apenas subtratados.

Porque é que a revisão da medicação vem primeiro

Ajustar a medicação é fazer coincidir o fármaco, a dose e — muitas vezes o mais importante — o horário com cada paciente concreto, e rever isso à medida que a doença muda.

Não é uma formalidade antes da parte interessante. Uma parte significativa dos pacientes que nos chegam convencidos de que precisam de cirurgia está a tomar levodopa em intervalos que garantem períodos «off», ou um adjuvante que produz efeitos secundários confundidos com progressão da doença. Corrigir isso é mais rápido, mais barato e mais seguro do que operar.

Do mesmo modo, uma revisão honesta da medicação é o que dá sentido a uma avaliação cirúrgica. «Resistente aos fármacos» só significa alguma coisa se a medicação estava otimizada à partida.

O que a revisão abrange

  • O próprio diagnóstico — é doença de Parkinson ou um parkinsonismo atípico que não vai responder da mesma maneira?
  • A dose de levodopa e, sobretudo, o intervalo entre doses face ao momento em que os sintomas regressam
  • Os adjuvantes: agonistas dopaminérgicos, inibidores da MAO-B, inibidores da COMT, amantadina
  • Fármacos que possam estar a causar ou a agravar o tremor — alguns antidepressivos, lítio, valproato, broncodilatadores
  • Sintomas não motores: sono, humor, tensão arterial ao levantar, obstipação
  • As proteínas e o horário das refeições, que afetam a absorção da levodopa mais do que se costuma explicar ao paciente

Como trabalhamos

Os ajustes são feitos por fases, e não todos de uma vez, para que o efeito de cada alteração possa ser atribuído. Pedimos ao paciente que mantenha um diário simples — quando tomou a dose, quando começou a fazer efeito, quando o efeito passou —, porque esse registo vale mais do que qualquer observação isolada em consulta.

Para os pacientes internacionais isto pode começar à distância, antes da viagem, e continuar depois do regresso em articulação com o seu próprio neurologista. Em muitos casos uma teleconsulta e um diário de duas semanas respondem à pergunta de se um voo para Istambul se justifica.

A medicação depois do DBS

A estimulação cerebral profunda não põe fim à medicação — permite habitualmente reduzi-la de forma substancial. As duas coisas são ajustadas em conjunto durante o período de programação, e acertar esse equilíbrio é uma das razões pelas quais pedimos aos pacientes de DBS que fiquem três a quatro semanas e não uma.

Reduzir a medicação dopaminérgica demasiado depressa pode causar problemas próprios, incluindo humor deprimido e apatia. Isto é conduzido de forma deliberada, não deixado ao acaso.

Doenças tratadas

Doença de Parkinson

Uma doença progressiva do movimento — mas também uma em que o tratamento certo, escolhido na fase certa, pode devolver anos de autonomia.

Tremores

Nem todo o tremor é Parkinson, e nem todo o tremor precisa de cirurgia. Dar o nome certo ao tremor é a primeira e mais útil coisa que fazemos.

Distonia

Músculos que se contraem sem que ninguém lhes peça e que puxam o pescoço, a mão ou o corpo inteiro para posturas que a pessoa não consegue desfazer.

Perguntas frequentes

A minha medicação pode ser revista sem eu viajar até Istambul?

Sim. Envie a sua lista atual de medicação, os relatórios recentes do neurologista e um pequeno diário de sintomas, e a revisão inicial pode ser feita por teleconsulta.

Vou conseguir parar a medicação depois da cirurgia?

Habitualmente não por completo. A maioria dos pacientes com DBS reduz bastante a dose diária, mas a medicação mantém-se de alguma forma. Quem promete a suspensão total está a exagerar aquilo que o procedimento faz.

A comida afeta mesmo a levodopa?

Sim. A levodopa compete com a proteína da alimentação pela absorção, pelo que uma dose tomada com uma refeição rica em proteína pode fazer efeito tarde ou quase não fazer. Ajustar os horários em torno das refeições é muitas vezes uma das alterações mais simples e mais eficazes que fazemos.

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